Uma breve reflexão sobre o filme Operação Valquíria

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     O filme Operação Valquíria narra uma conspiração no alto escalão do Exército alemão para executar Hitler, isolar seus principais seguidores e tomar o poder na Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial. Uma missão complicada que envolveu pessoas que possuíam grande poder na época, mas que não acabou bem. Liderados pelo coronel Stauffenberg (interpretado por Tom Cruise), os principais envolvidos foram executados. Como represaria, os filhos de Stauffenberg foram separados da mãe, grávida na época, e colocados em orfanatos onde foram proibidos de usar seu sobrenome. 


     A primeira cena do filme é excelente: num rápido ataque aéreo, Stauffenberg é gravemente ferido, perdendo uma mão, três dedos da outra mão e um olho. O que torna a cena impactante é a rapidez e a brutalidade que ela acontece. Aliás, ela é a única cena de ação em todo o filme. Outras cenas muito bem dirigidas, cheias de suspense, são os preparativos para o atentado: a chegada ao local, a armação da bomba, a colocação dela próxima de Hitler, e a fuga. Em qualquer filme que Hitler apareça, seja como coadjuvante (como é o caso do filme analisado) ou protagonista (como no filme A Queda), é impossível não deixar de pensar como um homem pode utilizar seu poder para perseguir objetivos tão desumanos, sendo responsável pela morte de milhões de soldados e de pessoas inocentes. Em Operação Valquíria, ele não é representado como um homem calculista ou sádico, tampouco aparece com uma arma na mão, mas líder impaciente com as derrotas de suas tropas. Na verdade, durante as duas horas de filme ele aparece pouco em cena. 

     As atuações do elenco não comprometem, com destaque para Tom Cruise que transmite o orgulho ferido, a determinação e a coragem de arriscar a sua vida e de sua família em prol de um objetivo maior. Já o enredo, que é bem simples (grupo de oficiais alemães planejam a morte de Hitler), não deixa o espectador entediado, mesmo que o final do filme seja conhecido. Como entretenimento, Operação Valquíria não decepciona quem procura uma boa diversão e algum conhecimento histórico. Além disso, traz ao grande público uma história real pouco conhecida, que acrescenta ao grande número de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial um enfoque diferente.

     Uma questão que pode ser levantada pelo público é se o verdadeiro Stauffenberg possuía realmente as qualidades irretocáveis com que é representado no filme: decência, honra, coragem, etc. Será que ele nunca quis vencer a guerra que lutava mesmo que isso significasse a permanência de Hitler no poder? No filme, ele não têm defeitos de caráter como qualquer ser humano real, ou seja, é um personagem unidimensional. Seu maior desejo é livrar a Alemanha do julgo nazista, mas somente toma uma providência prática quando a guerra está quase decidida contra seu país. Podemos inferir que os produtores, roteiristas e o astro do filme não quiseram deixar em dúvida sobre o caráter de Stauffenberg. É importante salientar que o governo alemão permitiu que a equipe de Operação Valquíria gravasse nos lugares onde os fatos aconteceram, tais como o local onde Stauffenberg foi fuzilado, pois concordavam com a maneira que o filme representaria seu país para o mundo.





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